segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Soneto de fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, com tal zelo, sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
Em seu louvou hei de espalhar meu canto
rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor que tive
Que não seja imortal posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes





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