sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Nostalgia


A garota olhou novamente para o céu de dezembro, os últimos resquícios de primavera irem embora, empurrados pelo mormaço quente do verão que se aproxima. Olhou, do banco da praça onde estava sentada, crianças brincando com pássaros, e isso lembrou-lhe seus tempos de infância, onde tudo era muito simples. Passava o dia todo brincando com seu irmão mais novo de policia e ladrão no quintal de casa, usando um Walkie Talkie que mal funcionava para comunicar-se com ele de um lado da casa com o outro, e a mãe os assistia sorrindo enquanto cortava melancias e os chamava para ir brincar na piscina de mil litros, porque estava muito calor.

Lembrou-se então da piscina, da sua gata, da sua antiga casa, aonde pensava que ia morar pra sempre, porque afinal, era uma casa própria, o que na cabeça da pequena menina era uma casa “para sempre”.

O verão lhe irrita profundamente, desde que descobriu que preferia usar casacos a tops curtos, exibicionistas, que só fazem as garotas parecerem símbolos sexuais e vulgares. Ela anda pela praia por onde mora desde a terceira série e vê meninas jogando vôlei e se exibindo para garotos que ficam de boca aberta, só olhando. Ri disso. Garotos são trouxas. Por que meninas lésbicas pegam mais garotas? Elas dão em cima delas, não ficam olhando que nem bobocas e sonhando em vê-las nuas na cama. Trouxas, isso que são. Riu de novo lembrando-se da cara do seu amigo na noite anterior quando ela lhe falou isso, sua cara de espanto.

Por que o ano não acabou ainda mesmo, pra termos o outono e o inverno de novo? O verão nem começou oficialmente e eu já estou de saco cheio dele. A única coisa boa é porque é férias. Por que não temos férias no inverno, mesmo?

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